
Cresce o interesse de empresas brasileiras por fábricas no Paraguai
Depois de nomes como Lupo e Döhler, mais empresas brasileiras estão de olho na possibilidade de abrir operação industrial no Paraguai. O principal atrativo é o Regime de Maquila: um imposto único de apenas 1% sobre o valor agregado localmente, isenção de imposto na importação de máquinas e matérias-primas, e lucros/dividendos que podem ser remetidos sem taxação.
Além disso, o custo da mão de obra no Paraguai chega a ser até 30% mais baixo que no Brasil — segundo o Grupo Wyda, que já opera no país, a diferença pode chegar a 50%.
Comparando a carga tributária (Mercosul):
| Paraguai | Brasil | Uruguai | Argentina | |
|---|---|---|---|---|
| Imposto sobre valor agregado | 10% | 17% | 22% | 21% |
| Renda pessoa jurídica | 10% | 34% | 25% | 35% |
Segundo a consultoria M360, 363 empresas operam sob o Regime de Maquila desde 2000, e o Brasil responde por 70% delas (254 empresas). A consultoria já assessorou cerca de 40 empresas brasileiras de médio porte nesse processo — mas agora, afirma, grandes grupos também começaram a avaliar o movimento, como Lupo (investiu R$ 30 milhões em planta de meias em 2025) e Döhler (vai abrir sua primeira fábrica fora do Brasil, no Paraguai). Outras marcas conhecidas, como Cacau Show, Bauducco e Ajinomoto, já buscaram informações, mas dizem não ter planos concretos no momento.
Nem todo negócio se encaixa. Especialistas alertam que o movimento não serve para qualquer empresa — setores com logística mais sensível (como produtos perecíveis) podem inviabilizar a operação pelos custos de transporte refrigerado. Também há um fator concorrente: a própria Reforma Tributária brasileira, ao passar a cobrar o imposto onde ocorre o consumo (e não na sede da empresa), tende a reduzir esse tipo de vantagem baseada só em localização.
Fonte: Com informação do Valor Econômico
